Planejamento da distribuição: as perguntas que o executivo deve fazer
Planejamento da distribuição em resumo: O planejamento da distribuição alinha a estratégia da empresa aos canais, ao nível de serviço, ao modelo de CD, aos estoques, à tecnologia e aos transportes. Por isso, cada decisão pede visão sistêmica. Na escolha entre centralizar ou descentralizar, o executivo compara um fator tangível, o custo, com outro intangível, a proximidade do cliente.
O planejamento da distribuição é um desafio tanto para empresas globais quanto para as que atendem um país de dimensões continentais. Em ambos os casos, a concorrência é acirrada. Além disso, o preço e o prazo de entrega pesam muito, e os consumidores estão mais exigentes.
Por isso, o processo de distribuição merece atenção adequada. Todas as funções envolvidas devem ser avaliadas, sempre com uma visão sistêmica. A seguir, este artigo do acervo técnico da IMAM organiza as perguntas que o executivo responsável deve fazer em cada etapa.
Estratégia e canais no planejamento da distribuição
A estratégia de distribuição deve nascer alinhada aos objetivos da empresa, como reduzir custos e aumentar a lucratividade. Assim, duas perguntas abrem o trabalho:
- O planejamento da distribuição tem como foco atingir os objetivos da empresa?
- Os objetivos da distribuição estão alinhados com os objetivos de vendas e de finanças?
Em seguida, vêm os canais. O canal é o modelo de comercialização e de distribuição de um mix de produtos, em geral definido pelo Marketing. Nessa etapa, vale perguntar:
- A área de distribuição física é consultada para apoiar a definição dos canais?
- Foram avaliadas todas as alternativas viáveis: venda direta, CD regional, distribuidor, atacadista, varejista, representante e cooperativa?
- Foi avaliado o uso de canais diferentes para regiões com concentrações de demanda (clusters) diferentes?
- O Marketing recebe regularmente os custos de distribuição de cada canal?

Nível de serviço no planejamento da distribuição
O nível de serviço é a relação, em porcentagem, entre as solicitações do cliente plenamente atendidas e o total de solicitações de um período. No entanto, a parte que cabe à distribuição é o prazo, contado a partir da liberação para entrega. Portanto, o executivo deve verificar se o prazo prometido pelo vendedor é viável. Também deve saber se o vendedor avalia a real urgência do cliente e as alternativas ao anotar o pedido.
Modelo centralizado ou CD regional?
No modelo centralizado, um único CD faz toda a distribuição. Nesse caso, as perguntas são: os aspectos positivos e negativos foram avaliados? A eliminação das transferências entre CDs regionais compensa o aumento do tempo de trânsito até o cliente? E os ganhos com o cross-docking, o transbordo programado, foram considerados?
Já o CD regional é um armazém de estoque e distribuição próximo do cliente. Aqui o artigo pede cuidado. A instalação foi fruto de estudo, ou de pressão de vendas, intuição ou cópia de um concorrente? Além disso, os incentivos fiscais podem ser temporários, e a relação entre riscos e oportunidades precisa ser avaliada.
- O prazo maior se deve à distância ou a outros fatores, como cadastro, falta de produto, separação de pedidos ou falta de caminhões?
- Quais itens precisam, de fato, ficar perto do cliente?
- O prazo menor aumentou as vendas a ponto de cobrir o custo adicional do CD?
- Foram avaliadas as opções de CD próprio, alugado, armazém geral ou operador logístico?
Estoques e tecnologia no planejamento da distribuição
A gestão de estoques busca o balanceamento do nível de estoque. Dessa forma, compras e PCP trabalham junto com armazenagem, processamento de pedidos, separação e transporte, sem aumentar os custos de manter estoques. Por exemplo, os indicadores de cobertura, giro e ruptura devem ser acompanhados periodicamente.
| Sistema | O que faz |
|---|---|
| ERP | Sistema integrado de gestão que controla as principais funções da empresa. |
| DRP | Planejamento das necessidades de distribuição: determina o que reabastecer nos armazéns das filiais. |
| WMS | Sistema de gerenciamento de armazéns: apoia a gestão das atividades do armazém. |
| TMS | Sistema de gerenciamento de transportes: módulos de roteirização, rastreamento e controle de fretes e frotas. |
Transportes no planejamento da distribuição
O transporte costuma ser um dos maiores custos da distribuição. O rodoviário de cargas (TRC) é o mais usado e representa cerca de 65% do volume transportado no País, segundo o artigo. Ainda assim, os demais modais merecem avaliação.
| Modal | Pontos fortes | Limitações |
|---|---|---|
| Rodoviário (TRC) | Ótima mobilidade porta a porta e custo razoável | Estado das estradas |
| Ferroviário | Custo competitivo para grandes volumes e distâncias acima de 600 km | Pouca mobilidade, depende do TRC nas pontas e de infraestrutura deficiente |
| Cabotagem | Custo competitivo para distâncias acima de 1.000 km | Depende do TRC nas pontas e dos portos; pouca disponibilidade de navios para os 8.000 km de costa |
| Aéreo | Atende produtos de alto valor agregado, perecíveis e urgências | Alto custo unitário |
Outros fatores a considerar
- As embalagens e o aproveitamento delas na unitização (paletização) e no transporte.
- A necessidade de docas de recebimento e de expedição no armazém.
- A capacidade de separação (picking), que precisa garantir velocidade operacional além da capacidade de estocagem.
- As devoluções, ou seja, a logística reversa.
- A classe de risco, a periculosidade e o risco de contaminação dos produtos.
- O gerenciamento de riscos: roubo de carga, medidas preventivas e contingenciais e segurança patrimonial.
Custo ou proximidade com o cliente?
Normalmente, a decisão sobre o modelo passa pelo dilema entre centralizar e descentralizar. Para resolvê-lo, o executivo analisa diversas funções. Porém, a solução depende de comparar um fator tangível, o custo, com outro intangível, o impacto da proximidade do produto com o cliente. Enquanto isso, a equipe de vendas costuma pressionar para ter o produto perto dos clientes.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O planejamento da distribuição deve garantir um diferencial competitivo, mas nunca a qualquer custo. Por isso, a lição do artigo é avaliar as funções em conjunto. Estratégia, canais, serviço, CDs, estoques, tecnologia e transporte só funcionam bem com visão sistêmica do processo logístico.
Conteúdos complementares recomendados
- Distribuição seletiva: Como escolher parceiros e coberturas de mercado.
- Cross docking: O transbordo programado citado no modelo centralizado.
- Modais de transporte: Os modais comparados em mais detalhe.

