Infraestrutura rodoviária no Brasil: custos e o plano de concessões
Infraestrutura rodoviária em resumo: Infraestrutura rodoviária deficiente pesa no transporte de cargas, modal de cerca de 59% no Brasil. Em 2012, só 219.846 dos 1.691.215 km de rodovias eram pavimentados. Estradas ruins elevam o custo do transporte de 18,8% a 91,5%. Para reagir, o governo lançou um programa de concessões com 7.563,9 km de obras.
Há mais de uma década, técnicos de empresas, estudiosos e associações alertam para as deficiências do transporte rodoviário de cargas, o TRC. Afinal, a infraestrutura rodoviária pesa nos custos do TRC, que representam cerca de 5% do PIB.
O modal responde por cerca de 59% das cargas e afeta o Custo Brasil e a competitividade. Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, resume o retrato da infraestrutura rodoviária e o plano lançado para desafogá-la.
Alertas antigos sobre a infraestrutura rodoviária
Por exemplo, notícias de 2003 já apontavam os problemas. Segundo elas, o mau estado das estradas chegava a triplicar os gastos com manutenção. Além disso, aumentava o tempo do material em trânsito e os danos à carga.
Além disso, havia risco de colapso com o crescimento da safra, estimada entre 110 e 120 milhões de toneladas para 2004. Em 2013, segundo o PDF, a safra já chegava a 170 milhões de toneladas.

O retrato das rodovias
Segundo dados do DNIT de 28/12/2012, o Brasil tem 1.691.215 km de rodovias, mas só 219.846 km pavimentados. Contudo, para o autor, as tentativas de melhorar a malha com verbas e planos federais foram inócuas.
Já em São Paulo, o governo estadual adotou a privatização das estradas. O modelo gerou pedágios elevados e críticas. Em contrapartida, levou as estradas paulistas a serem classificadas como as melhores do País.
Quanto a estrada ruim encarece o transporte
Por sua vez, um estudo da CNT de 2011 comparou os custos de transporte tomando como referência estradas em ótimo estado. O resultado foi este:
| Estado da rodovia | Acréscimo no custo do transporte |
|---|---|
| Bom | 18,8% |
| Regular | 41,0% |
| Ruim | 65,0% |
| Péssimo | 91,5% |
O programa de investimentos em infraestrutura rodoviária
Como a situação ficava cada vez mais crítica, o governo federal flexibilizou critérios para atrair investidores. Assim, lançou o Programa de Investimentos em Logística, que inclui as rodovias.
Na prática, a previsão era implantar rodovias de pista simples e dupla e duplicar algumas existentes na BA, ES, MG, GO, TO, DF, MS e MT, num total de 7.563,9 km. Segundo o DNIT, o modelo tinha os seguintes pontos:
- Concessão de 30 anos, renovável.
- Taxa interna de retorno de 5,5%.
- Pedágio só depois da recuperação emergencial e de 10% da duplicação.
- Duplicação total da rodovia em cinco anos.
- Conservação e operação por 30 anos, com monitoramento eletrônico e socorro médico.
- Financiamento de 25 anos, com cinco de carência e acréscimo de até 1,5% ao ano sobre a taxa de referência.
Além disso, o programa previa licenciamento ambiental, alocação de riscos, gestão de contratos, estudos de viabilidade e participação social.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
A infraestrutura rodoviária encarece o frete e trava a competitividade. Mesmo que as ações do programa não sejam totalmente satisfatórias, pelo menos há algo para acompanhar, avaliar e ajustar. Em resumo, o setor mantém a esperança de estradas melhores e de um País mais competitivo.
Conteúdos complementares recomendados
- Caos no transporte rodoviário de cargas: Os riscos de concentrar a carga nas estradas.
- Transporte rodoviário de cargas: Conflitos entre demanda, qualidade e custos.
- Redução de custos no transporte rodoviário: O que a empresa pode fazer dentro de casa.

