Análise sistemática da movimentação (SHA): os seis passos
Análise sistemática da movimentação em resumo: A análise sistemática da movimentação (SHA) é um método de 1969 para decidir como mover cada material de um ponto a outro. Ela tem seis passos: classificar os materiais, analisar os movimentos, visualizar os movimentos, definir propostas, selecionar a melhor e detalhar a implantação, com custos e fatores intangíveis.
Os projetos de engenharia industrial geraram uma base de conhecimento que vale reaproveitar. Por isso, os engenheiros criaram modelos que conduzem o trabalho de forma metódica, passo a passo. Um deles é a análise sistemática da movimentação, conhecida pela sigla SHA (systematic handling analysis).
Este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, apresenta as metodologias mais usadas e detalha os seis passos da SHA. Entre os benefícios estão a gestão do conhecimento, a redução de riscos, a produtividade e a consistência.
Metodologias sistemáticas na engenharia industrial
Atualmente, o mercado conta com várias metodologias consagradas. Entre elas, destacam-se o planejamento sistemático de layout (SPL), a análise sistemática da movimentação (SHA) e a análise de modo e efeito de falha (FMEA). Além disso, há a engenharia e análise de valor (EAV), com foco na relação entre função e custo, e a redução do tempo de troca de ferramenta (SMED).
Também fazem parte da lista o projeto para manufatura e montagem (DFMA), o planejamento de experimentos (DOE), o método de mensuração de tempo (MTM) e o controle estatístico do processo (CEP). Por fim, há o kaizen blitz, uma semana prática no chão de fábrica.

Os seis passos da análise sistemática da movimentação
Como movimentar um material de um ponto a outro? Afinal, essa é a questão básica da movimentação de materiais. A partir dela, o método foi desenvolvido em 1969, com seis passos encadeados.
Passo 1 da análise sistemática da movimentação: classificar
Primeiro, identifique o que é movimentado, como produtos, peças e componentes. Em seguida, veja quais itens são parecidos e podem seguir o mesmo método. Por fim, coloque cada item em uma classe de material, com base em características físicas e não físicas. O resultado é uma lista de materiais com a classe de cada um.
Passo 2: analise os movimentos
Em seguida, defina a unidade de medida do movimento, como peso, tambores ou paletes. Além disso, identifique as rotas de coleta e de depósito e registre a quantidade movimentada em cada rota, por classe. Afinal, não dá para escolher o melhor método sem saber quanto material passa em cada rota. O resultado é um resumo de todos os movimentos.
Passo 3: visualize os movimentos
Neste passo, desenhe o espaço envolvido e marque as áreas de origem e de destino. Então, ligue cada origem ao destino com linhas que indicam a quantidade movimentada, a classe e a direção. Assim, o diagrama mostra como as rotas se relacionam e revela chances de integrá-las.
Passo 4 da análise sistemática da movimentação: propostas
Este é, portanto, o coração do problema. Para cada classe e rota, escolha o melhor método de movimentação. Em seguida, monte três ou quatro planos alternativos viáveis. A tabela mostra como a distância e a quantidade orientam o tipo de equipamento.
| Distância | Quantidade | Equipamento indicado |
|---|---|---|
| Curta | Baixa | Movimentação simples |
| Longa | Baixa | Transporte simples |
| Curta | Alta | Movimentação complexa |
| Longa | Alta | Transporte complexo |
Nesse critério, equipamentos de movimentação apanham e depositam, enquanto os de transporte fazem viagens. Da mesma forma, os simples são baratos, e os complexos custam mais.
Passo 5: selecione a melhor proposta
Agora, compare os planos em duas análises: custos e fatores intangíveis. Para isso, obtenha dos fornecedores o investimento e o custo de operação dos equipamentos. Depois, monte uma planilha com os custos de cada plano e outra com benefícios intangíveis e riscos. Desse modo, mais pessoas participam da decisão, que fica objetiva e imparcial.
Passo 6: detalhe e implemente
Por fim, liste tudo o que falta para implantar o plano: especificações dos equipamentos, fornecimento, projetos de instalação, treinamentos e verificação do desempenho. Além disso, defina um responsável e um prazo para cada tarefa e acompanhe o andamento. Por exemplo, um gráfico de Gantt mostra quem faz o quê e até quando.

O que cada passo da análise sistemática da movimentação entrega
| Passo | Resultado |
|---|---|
| 1. Classificar | Lista de materiais com a classe de cada um |
| 2. Analisar | Resumo dos movimentos de cada classe em cada rota |
| 3. Visualizar | Diagrama com todos os movimentos sobre todas as rotas |
| 4. Propor | Unidade de transporte e equipamento para todos os movimentos |
| 5. Selecionar | Plano de movimentação aprovado |
| 6. Implementar | Especificações detalhadas e plano de compras e instalação |
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
A análise sistemática da movimentação transforma uma pergunta simples, como mover um material, em um roteiro de seis passos. Assim, a escolha do equipamento deixa de ser palpite e passa a se apoiar em dados, custos e fatores intangíveis. Em resumo, as metodologias sistemáticas fazem parte da evolução da engenharia industrial.
Conteúdos complementares recomendados
- Projeto de layout: O planejamento do arranjo físico que define as rotas.
- O que é SMED: Outra metodologia sistemática citada no artigo.
- Equipamentos de movimentação manual: Os equipamentos simples para curtas distâncias.
