CPFR: planejamento colaborativo e o que falta para cumprir a promessa
CPFR em resumo: CPFR é o programa em que parceiros comerciais planejam, preveem e reabastecem em conjunto as atividades da cadeia de suprimentos. Ele nasceu da resposta eficiente ao consumidor (ECR) e promete reduzir estoques e custos. Para cumprir a promessa, porém, precisa separar a geração de demanda do reabastecimento e sincronizar os dois processos.
O CPFR, sigla em inglês para planejamento, previsão e reabastecimento colaborativos, é herdeiro de uma promessa antiga. Segundo o PDF, o setor de bens de consumo gastou muito tempo com planejamento e previsão. Porém, deu pouca atenção à sincronização do fluxo com a demanda.
Da resposta eficiente ao consumidor ao CPFR
Quando a resposta eficiente ao consumidor (ECR) surgiu, em 1993, seus defensores previam economias de milhões para o setor de alimentos. Afinal, o reabastecimento passaria a ser orientado pela demanda. Desde então, os parceiros comerciais focaram os processos que tornariam a ECR real.
Na verdade, a ECR representa relações eficazes entre os parceiros do canal, que trabalham juntos para colher os ganhos prometidos. A tabela resume os programas e modelos citados no PDF.
| Programa | O que faz |
|---|---|
| ECR | Resposta eficiente ao consumidor, com reabastecimento orientado pela demanda |
| CRP | Reabastecimento contínuo: dispara a manufatura e a reposição quando o consumidor final compra |
| VMI | Estoque gerenciado pelo fornecedor, que passa a definir o tamanho e o momento dos pedidos |
| CPFR | Os parceiros planejam e gerenciam juntos negócios, previsão de vendas e reabastecimento |
| SCOR | Modelo de referência que mostra como os processos da empresa e do canal se relacionam |
Contudo, implantar o CRP e o VMI era desafiador. Primeiro, porque exigia gerir novas fontes com mais informações. Além disso, pedia entender as regras de cada nova relação entre parceiros. Por isso, a colaboração exige mudanças nas relações e investimentos em estratégia, tecnologia e infraestrutura.
A comunicação também precisa de tecnologia, porque os métodos manuais não se expandem. Com ela, a colaboração chega a todas as partes do canal, seja qual for o tamanho ou o papel de cada uma.

O que é o CPFR e o que ele prometeu
No CPFR, os parceiros comerciais planejam e gerenciam juntos as atividades da cadeia de suprimentos. Isso inclui o planejamento dos negócios, a previsão de vendas e as operações de reabastecimento das matérias-primas. Desde as primeiras diretrizes, de 1998, o programa prometeu cortes drásticos de estoque e custo.
O comitê da ECR, aliás, calculou que a indústria poderia reduzir os estoques do sistema em mais de 40%. Para isso, bastaria racionalizar quatro áreas: promoções, reabastecimento, sortimento e lançamento de produtos. Como o reabastecimento respondia por mais de 40% dos benefícios previstos, ele concentrou a atenção do setor.
Por que a colaboração não avançou
Apesar disso, o sucesso comprovado foi limitado. Muitas empresas colaboram com alguns clientes importantes, mas eles são só uma pequena parte da base total. Segundo o PDF, a falta de visibilidade do canal e de uma visão integrada de preços, promoções, sortimento e lançamentos explica boa parte do problema.
Há ainda uma lição: a colaboração não é linear. Concorrentes muitas vezes trabalham juntos em armazenagem, transporte, manufatura e compras de marca própria. Enquanto isso, os fabricantes ainda veem o controle de ponta a ponta como extensão da disputa de marcas.
Os dados do ponto de venda também confundem. O código universal de produto surgiu nos EUA em 1973, com a promessa de visibilidade e menor custo. Mais de 30 anos depois, porém, essa visão segue em grande parte não atendida, porque faltou atenção a promoções, lançamentos, sortimento e concorrência.
Além disso, o volume e a inconsistência desses dados tornam impraticável usá-los direto na previsão. Afinal, as vendas na loja são pequenas e inconstantes. Por isso, a informação crítica é a taxa de venda de cada produto por local de abastecimento. Em outras palavras, o desafio é saber quando a loja vai pedir de novo.
O que o CPFR precisa para dar certo
As previsões estão sempre erradas. Contudo, um erro no ponto de venda gera um desvio de curto prazo, enquanto uma pequena falha na fábrica ou no CD pode virar milhões de caixas. Portanto, é preciso eliminar o atraso da informação entre o real e o plano em toda a rede.
- Separar os processos que criam demanda dos processos que atendem a demanda.
- Trocar informações sobre como e quando a geração de demanda afeta o atendimento.
- Sincronizar esses processos, em vez de integrá-los, já que não é possível gerir os dois ao mesmo tempo.
- Adotar as melhores práticas baseadas em padrões de troca eletrônica de informações.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
O CPFR só cumprirá a promessa se voltar às raízes: separar a formação da demanda do reabastecimento baseado na demanda real. Assim, com troca eletrônica padronizada de dados, ele poderá se expandir para uma base maior de clientes e fornecedores.
Conteúdos complementares recomendados
- Planejamento de demanda: Como prever o que o mercado vai pedir.
- S&OP e planejamento tático: Outros formatos de planejamento conjunto.
- Visibilidade da cadeia de suprimentos: Por que enxergar o fluxo de ponta a ponta.

