Embalagem na logística: 10 pontos para avaliar no projeto
Embalagem na logística em resumo: A embalagem na logística vai muito além de proteger o produto. Ela acompanha toda a cadeia de abastecimento e influencia o projeto do produto, a unitização, a qualidade do serviço, as compras e vendas, a gestão visual, a separação, o transporte, a logística reversa e a terceirização. Por isso, merece uma avaliação conjunta.
Analisar um componente da logística de forma isolada pode gerar erros sérios de avaliação. A embalagem na logística, por exemplo, é um caso típico. Em geral, a empresa não a enxerga como parte do sistema, embora ela percorra toda a cadeia de abastecimento e assuma funções diferentes em cada etapa.
Por isso, este artigo, baseado no acervo técnico da IMAM, reúne os dez pontos que merecem atenção para chegar a um projeto e a um uso adequados das embalagens.
Por que a embalagem na logística merece atenção
Geralmente, o projeto da embalagem dá mais ênfase a duas funções. Em primeiro lugar, acondicionar o produto, com preservação física, química e biológica. Em segundo lugar, apoiar a venda, com imagem e boa disposição. Porém, as demais funções, que geram impacto na logística, ficam em segundo plano. Assim, surgem problemas que só aparecem no armazém, no caminhão ou no cliente.
| Ponto | O que avaliar |
|---|---|
| 1. Projeto do produto | Se a engenharia sabe que o produto será embalado e se a embalagem primária é submúltipla da embalagem de transporte |
| 2. Projeto da embalagem | Função logística, proteção contra danos e furto, dimensões, ergonomia, peso e local da identificação |
| 3. Unitização | Custo e benefício dos equipamentos, recursos do cliente, tempo de carga e impacto na armazenagem e no transporte |
| 4. Qualidade | Identificação, símbolos pictóricos, conferência e número ONU para produtos perigosos |
| 5. Compras e vendas | Obrigações logísticas com fornecedores e clientes e protocolo logístico formal |
| 6. Gestão visual | Identificação e verificação dos produtos em todas as etapas |
| 7. Separação e linha | Uso direto, sem transferência para outro dispositivo |
| 8. Transporte | Carga estivada ou unitizada e ocupação do veículo |
| 9. Logística reversa | Embalagem padronizada, personalizada, descartável ou retornável |
| 10. Terceirização | Aluguel de embalagens e unitizadores |
A embalagem na logística começa no projeto
1. Projeto do produto
Se a embalagem primária reflete a forma do produto, a primeira pergunta é simples: a engenharia do produto sabe que ele vai receber uma embalagem? Contudo, poucas empresas têm essa preocupação. Além disso, vale verificar se as dimensões da embalagem primária são submúltiplas da embalagem de transporte e dos unitizadores, como palete, contentor e contêiner.
2. Projeto da embalagem para a logística
Aqui, as perguntas são práticas. Em primeiro lugar, a embalagem considera a função logística em cada etapa? Ela evita danos por choques, vibrações, clima, fogo, umidade e até furto? Além disso, a equipe avaliou dimensões, ergonomia e peso? Por fim, ela é submúltipla dos paletes, das carroçarias e dos contêineres, com local definido para a identificação?
3. Unitização
A unitização junta diversas embalagens individuais em uma unidade, como paletes, contêineres e racks. Porém, ela tem aspectos positivos e negativos, por isso exige análise. Além da economia de mão de obra, a empresa deve avaliar a necessidade de equipamentos de movimentação e a relação entre custo e benefício.
Do mesmo modo, convém verificar se os clientes têm equipamentos para movimentar a carga. Da mesma forma, é preciso medir o ganho no tempo de carga e descarga, na área de recebimento e expedição e no tempo de veículos parados. Por fim, entram na conta o impacto na armazenagem e no aproveitamento do transporte.
Embalagem na logística, qualidade e área comercial
4. Qualidade
Qualidade, nesse caso, inclui o serviço: o produto íntegro, no prazo combinado e nas condições que o cliente deseja. Para isso, a etiqueta precisa ter local, tamanho, textos e códigos fáceis de ler. Da mesma forma, a embalagem deve trazer os símbolos pictóricos, como frágil, não molhar e este lado para cima. Além disso, deve facilitar a conferência por contagem e amostragem. Por fim, no caso de produtos perigosos, ela precisa indicar o número ONU.
5. Impacto em compras e vendas
Quando a logística vira diferencial competitivo, a área comercial precisa de cuidados. Por exemplo, a empresa define com fornecedores e clientes as obrigações logísticas, como embalagens, lotes e horários? Existe um protocolo logístico formal entre as partes? Por fim, a empresa procura comprar e vender em múltiplos de uma unidade de transporte ou de um palete?
6. Controles e gestão visual
A dinâmica da logística exige identificação e controle, em qualidade e quantidade, do recebimento até a expedição. Portanto, a embalagem e o unitizador devem facilitar a verificação dos produtos em todas as etapas, inclusive na estocagem.
Embalagem na logística da separação ao retorno
7. Separação e abastecimento de linha
Para reduzir custo e melhorar o nível de serviço, muitas empresas adotam embalagens de múltiplas aplicações. O ideal é que a embalagem siga do recebimento à estocagem e à área de separação sem trocar de dispositivo. Da mesma forma, ela pode chegar abastecida ao cliente e ir direto para a linha de montagem ou de usinagem.
8. Transporte
O transporte sente muito o efeito da embalagem e da unitização. Afinal, a escolha entre carga estivada, isto é, fracionada, e carga unitizada muda a ocupação do veículo em valor, peso e volume. Segundo o artigo, a paletização faz sentido em três situações:
- Quando o cliente exige, já que a decisão é dele.
- Quando a ocupação do veículo é boa, acima de 300 kg/m³, e o tempo de carga e descarga pesa em relação ao tempo de viagem, o que vale para distâncias menores que 100 km.
- Quando o tempo de carga e descarga importa para liberar as docas ou reduzir o custo fixo do transporte.
9. Logística reversa
Em alguns casos, convém decidir se a embalagem será padronizada e intercambiável, como contentores e paletes, ou personalizada com dados do fornecedor e do cliente. A descartável atende quando reduzir custo importa mais que preservar. Por outro lado, a retornável permite reaproveitar, mas cria a tarefa de administrar o fluxo e o destino das embalagens.
10. Terceirização
Hoje existem alternativas de terceirização, e a que mais se destaca é o aluguel de paletes. Ainda assim, apesar do custo alto, vale avaliar se faz sentido alugar embalagens ou unitizadores e pesquisar os tipos de serviço disponíveis no mercado.
Fonte: acervo técnico da IMAM, revista intraLOGÍSTICA. Leia o artigo original em PDF. Conheça também a IMAM Consultoria.
Conclusão
Como se vê, uma embalagem aparentemente simples envolve muitas variáveis, porque toca todas as etapas. Em resumo, pensar na embalagem na logística desde o projeto melhora a qualidade, a produtividade e o nível de serviço ao cliente.
Conteúdos complementares recomendados
- Embalagem como diferencial: O papel da embalagem no desempenho do sistema.
- Unitização de cargas: Como consolidar volumes para movimentar e transportar.
- Logística reversa de embalagens: O retorno e o reaproveitamento das embalagens.
